domingo, 1 de abril de 2012

ASAS (Fadas #01)

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Laurel estava hipnotizada, olhando para as coisas pálidas com os olhos arregalados. Eram terrivelmente bonitas - bonitas até demais para se expressar com palavras. Laurel voltou-se para o espelho novamente, os olhos nas pétalas que flutuavam ao lado de sua cabeça. Elas pareciam quase como asas.



Asas (Fadas #01)
Aprilynne Pike
294 páginas (paperback)
Harper Teen
Edição nacional pela Bertand Brasil





Não darei explicações sobre meu paradeiro nos últimos meses. Talvez precisasse te matar se você soubesse de algo, então vamos manter as coisas em sigilo. Possa apenas tranquiliza-los de que estou bem e os rebeldes pró-democracia NÃO TOMARÃO O REINO. REPITO: NÃO TOMARÃO O REINO. Súditos de Lekatopia, durmam em paz. A primavera árabe felizmente não chegou por aqui e quando chegar, daremos aos rebeldes uma cópia completa e no original de “A Saga Crepúsculo” para que eles desistam dessas aspirações democráticas. 

Não, não daremos. Isso seria tortura e eu seria punida pelo Tribunal Penal Internacional.

Mas então, você está atrás de uma resenha de Asas. Certo. Sob o título original de Wings, é o primeiro de uma trilogia que virou “saga” e conta ainda com Spells (que saiu no Brasil recentemente como Encantos) e Illusions. O anunciado último livro da série se chamará Destined e deve ser publicado nos EUA em 01/05/2012. Não farei comentários sobre a edição nacional porque li a versão paperback norte-americana em setembro do ano passado, em um book tour promovido pelo Murphy’s Library (obrigada Guta e Maeva pela oportunidade!).

Com sinceridade, se é verdade que passei as primeiras cem páginas xingando o livro mentalmente, também é verdade que passei as últimas cem virando página atrás de página para chegar ao final (e não porque era tão torturante que eu queria que acabasse, mas porque era do meu interesse saber o que aconteceria a seguir). Asas é como uma música tão ruim que quase chega a ser boa (ok, não boa, mas aquela música que você sabe todas as rimas pobres do refrão e ainda canta no chuveiro...Pense na abertura daquele seriado da Rede Globo que tem a música "Entre Tapas e Beijos" sendo cantada pela Joelma). Objetivamente analisado, acho Asas ruim: pessimamente escrito, com personagens que geram de pouca a nenhuma empatia por parte do leitor e uma estória cheia de passagens em que fica difícil acreditar que as personagens ajam com um mínimo de racionalidade (e que terminam por soar forçadas e inverossímeis). Mas não posso dizer que odiei. A culpa me corrói nesse momento, mas, para falar a verdade, eu meio que gostei. E por “meio que gostei” quero dizer que me diverti e que eu leria uma eventual sequência.

Tentei achar motivos para ter gostado, tentei mesmo. O mais perto que consegui chegar foi a “teoria do bom por comparação”. Veja, tendo ouvido sertanejo universitário nos últimos meses (contra a minha vontade, diga-se de passagem, mas tente andar de carro sem algum babaca do seu lado parar com o som no último volume tocando...adivinhe?) e visto “Amanhecer – parte 01”, eu ando meio que gostando de tudo que leio/vejo/ouço POR COMPARAÇÃO. Não é que eu goste de quiabo, mas quiabo parece bom se comparado a...sei lá, dobradinha. Mas não é bom comparado à comida da sua avó (ou talvez seja, mas daí é seu problema de família, não meu).

Desculpe, mas é verdade.

A estória fala sobre Lauren, uma adolescente que acha normal: (i) comer meio pêssego e tomar uma lata de refrigerante light o dia inteiro (de onde eu venho chamamos isso de anorexia, mas ok); (ii) sentir um calombo do tamanho de uma bola de tênis nas costas e não contar para seus pais para não preocupá-los (SÉRIO?); e (iii) quando dito calombo vira uma flor (sim, uma flor nascendo nas suas costas) não cogitar esquizofrenia nem, mais uma vez, contar para seus pais, mas sim correr para a casa do cara bonitinho da escola  tirar um pedaço da coisa e olhar no microscópio para ver do que se trata. Percebe o problema? Como eu vou ter empatia por alguém assim? COMO?

Por que você é tão burra, Lauren? Por que???

Mas enfim, sem maiores spoilers, a partir daí eles descobrem que Lauren é na verdade uma fada (o que justifica alguns itens acima, menos a burrice da protagonista) e que o mundo das fadas e dos humanos está em perigo e bláblá. Claro, no meio de tudo coloque dois interesses amorosos (o cara fada bonitinho e o amigo bonzinho e chato) disputando o afeto da protagonista insossa e voilá, você tem um livro.

Para ser justa, a mitologia é legal, embora eu tenha lido várias resenhas de pessoas que gostaram do livro, mas acharam a mitologia esquisita. Bem, esquisita ela é, mas ao menos é original. Basicamente, Lauren tem uma flor nascendo nas costas porque é uma planta, uma espécie evoluída de planta que nós conhecemos como “fadas”. É bizarro, eu sei, mas também achei interessante. E a explicação sobre como as fadas se dividem nas cortes e a função de cada uma também vale pontos para Aprilynne Pyke. O que NÃO vale pontos para a autora, contudo, são frases prontas e personagens formuláticas.

Enfim, não recomendo a menos que você seja MUITO FÃ de YA sobrenatural. Apesar disso, alerto que pode ser uma experiência divertida. E você pode sentir culpa pela voracidade com que devorou o livro no fim das contas.

 
Narrativa: 3/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: Nada, nada, nada para colocar aqui. Além do mistério de eu ter achado divertido um livro para o qual dei duas estrelas.
Avaliação Geral: 2/5

Obs1: Este retorno não é uma piada de primeiro de abril. Não esperem, contudo e infelizmente, nenhuma regularidade nos posts, pois pelo menos até a metade do ano as coisas continuarão muito corridas.

Obs2: Começo de post livremente inspirado nisso, embora eu não goste do Sacha Baron Cohen.

3 comentários:

Victor disse...

Olá, Leka!!!

Seja muito bem vinda de volta! Passei por aqui justamente por estar com muitas saudades dos seus posts e, "Para Nossa Alegria", vi que você publicou um recentemente. Gosto muito de seu blog, assim como muitas outras pessoas também gostam, então, por mais que seja difícil, tente postar com alguma frequência, por favor, por favorzinho! :_( Mas agora chega de apelação e vamos ao comentário:

"Asas" era aquele tipo de livro que eu simplesmente não sabia o que pensar sobre. Não tinha uma opinião concreta sobre o livro e simplesmente não tinha intenção de lê-lo, por mais que ainda sempre batesse uma curiosidade ( poxa, até que o pessoal fala bem, etc, você não leu nada sobre fadas, blá blá blá...) . Mas agora, depois de sua resenha, acho que já tombei para o lado "não vou lê-lo". O problema das séries é que, por mais que um volume seja ruim, mas divertido e possa valer a pena, tem outros aguardando você, outros que talvez sigam a mesma linha e que você vai detestar ter de esperar e comprar, mas vai fazer assim mesmo, pois está curioso. Por tanto, temos que cortar o mal pela raiz - ou pelo primeiro volume haha. "Asas" fora da minha lista, por favor.

Ótimo retorno e vida longa ao reino de Lekatopia!

Beijos,

Victor

Clarissa Santos disse...

AHHHH, passei tantos dias visitando o Lekatopia e não tinha absolutamente NADA de novo que quase não acreditei quando vi uma atualização (mesmo que tenha sido num 1º de abril, o que me deixou muito, mas muito desconfiada).
Asas não é definitivamente o meu tipo de livro. Apesar de gostar de fadas, não me identifiquei com a sinopse, titulo ou capa. Até o nome da autora é meio esquisito e me fez ter mais antipatia pelo livro. xD
Agora com a sua resenha tenho 100% de certeza de que ODIARIA esse livro. CANSEI de YA meia boca, com triangulos amorosos que todo mundo já sabe como terminam... E fadas que são, na verdade, plantas... Não faz meu tipo. Sério.
Por favor, Leka, VOLTE A POSTAR COM REGULARIDADE! Y.Y Senti muita falta do lekatopia e não quero passar por isso de novo :~~~~

Vanessa disse...

Gostar por comparação é uma boa. Eu faço isso também, pelo menos, e acho bom! Assim quase nada consegue te decepcionar profundamente! ;D
Não estava muito interessada em Asas, e depois que você descreveu Lauren fiquei menos ainda.
Mas a história da flor nascendo nas costas até que parece interessante de um jeito bem bizarro!