quinta-feira, 12 de abril de 2012

GOSTO DE DESENHOS, ME PROCESSE #02 - Kuragehime

Cinco otakus, na acepção mais ampla da palavra. Uma garota que precisa desesperadamente fazer as sobrancelhas. Água Vivas. Um cross-dresser. Coloque todos esses elementos na mesma panela, cozinhe em fogo baixo e tempere com momentos hilários e um discurso nada piegas de seja você, seja feliz (não acredito que escrevi e vou publicar isso, por favor, me dêem licença para eu me matar de vergonha ali no canto), e voilá: você terá um dos animes mais legais que eu já tive a oportunidade de ver. 

E não, isso não decorre da minha excentricidade inata (embora este sempre pareça ser um bom tópico para debate e possa, levemente, ter influenciado minha preferência por este anime), mas de uma avaliação objetiva e minuciosa da qualidade da produção (cof).

Kuragehime, que pode ser traduzido como Princesa Água-Viva (eu sei, eu sei, mas na vá embora ainda, ao menos veja o vídeo abaixo), é um anime que foi ao ar de outubro a dezembro de 2010 no Japão e se baseia na mangá homônimo de Akiko Higashimura, o qual continua sendo publicado. Eu não li o mangá por falta de tempo, mas você encontra scanlations com facilidade na internet e o Pururin Fans está traduzindo-o para o português. Licença no Brasil? Esquece. Kuragehime é josei (convencionalmente definido como voltado ao público feminino, mas menos “adolescente” que o shoujo) e, convenhamos, publicações desse tipo são escassas por aqui.

Tsukimi, Kuranosuke e Clara (a água-viva - sim, eu faço referência a águas viva em legendas) em uma ilustração fofa de autor desconhecido.

Mas, sim, você quer saber afinal do que se trata Kuragehime: bem, nossa protagonista, Tsukimi, adora águas-vivas e passa um bom tempo da vida desenhando-as e observando-as no aquário de Tóquio. Ela quer ser desenhista de mangás, mas não teve muito sucesso até o momento e vive em um pensionato só para mulheres (onde homens não são permitidos nem como visitas) com mais quatro jovens peculiares, todas também otakus e especialistas em uma determinada área: trens de miniatura colecionáveis (oi, Sheldon?), bonecas, samurais e a era feudal japonesa, e por aí vai. Todas super tímidas e socialmente ineptas. Por essas e por muitas outras originalidades, Kuragehime rende bons momentos, além de tocar de leve no assunto dos NEETS (not in education, employment or training – clica aqui que a Wiki diz tudo), já que todas as garotas se encaixam na categoria. 
 
Não acabamos aqui, claro. Afinal ainda não falei do cross dresser. Enfim, no primeiro episódio Tsukimi vê uma água-viva dividindo o aquário de uma loja com outra espécie que pode matá-la. Ela tenta avisar ao vendedor hipster (não sou eu quem diz, é o próprio anime, que ensina com bom humor a reconhecer um neste primeiro episódio), o qual não dá muita bola para a garota esquisita. E é aí que uma mulher muito bonita e extravagante intercede em favor de Tsukimi. No fim das contas, Tsukimi descobre sem querer que a moça em questão não é uma moça, mas um rapaz, Kuranosuke, o filho ilegítimo de um político que faz cross-dressing – ainda que não seja homossexual - para evitar que o pai tente obrigá-lo a uma carreira política (e porque tem uns problemas mal-resolvidos com a mãe dele, mas isso é freudiano demais para eu tentar explicar aqui). O excêntrico garoto acha Tsukimi e as demais garotas do pensionato (“Amars”, como elas se referem a si mesmo) fascinantes em seus hábitos e comportamento fora do padrão, no melhor sentido possível, e começa a freqüentar o local. Isso, claro, escondendo de todos, com ajuda de uma Tsukimi sempre desconfortável em sua presença, sua real identidade.

 Festa estranha com gente esquisita. Kuragehime, you had me at hello.

Além da estória ser legal e visualmente acima da média, olhem essa abertura. Sério, é uma das mais bacanas que já vi em qualquer tipo de desenho, sejam os americanos ou até em outros animes. E não minta, você até deu replay para procurar as referências que eu sei!


Star Wars, Cantando na Chuva, Marry Poppins, 007, Contatos Imediatos de 3º Grau e tudo o mais que você conseguir encontrar.

A música de encerramento também é tão fofa quanto a de abertura, eu garanto. Uma pena é que a série animada possua poucos episódios, o que espero ansiosamente seja compensado com uma segunda temporada.

Então, é isso. Kuragehime me rendeu ótimos momentos ano passado e é mais do que recomendado, em especial para fãs de shoujo e josei. Se você nunca se aventurou por animes antes mas estava procurando uma oportunidade para começar, ela está bem aí.

E, cara, sério: Nunca usei tantas vezes sinônimos de "esquisito" em um mesmo texto. Estava quase levantando meu bumbum da cadeira para ir buscar um dicionário, mas felizmente a resenha acabou e eu não precisarei mais me preocupar em não repetir palavras.


3 comentários:

Vanessa disse...

Antes de tudo, que entrada maneira! Encontrei até Kill Bill ali! XD
Haha, agora descobri em que categoria "social" me encaixo. NEET.
Adoro shoujo, quando tiver alguma paciência para baixar os episódios vou assistir Kuragehime com certeza!

Vanessa disse...

Então, assisti a todos os episódios de Kuragehime hoje e amei, amei!!! *__* Nunca tinha assistido nenhum anime assim e, tipo, as reações quase sempre exageradas das personagens me fizeram rir muuuitooo! :D

thaic. disse...

Ah, Josei *-* Li apenas dois mangás no gênero, mas fiquei apaixonada. Vou dar uma chance ao anime, muito embora não pareca exatamente meu estilo... sou mais dessas que curtem uma fantasia do que um slice of life, mas ok, veremos.
beijo, beijo!