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domingo, 19 de dezembro de 2010

FADE - Devanecer (Trilogia Wake #2)

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“Coisas perturbadoras estão acontecendo em Fieldridge High, mas ninguém quer falar a respeito. Quando Janie penetra os pensamentos violentos de uma colega de classe, o caso finalmente se torna claro, mas nada sai como o planejado. (...) Pior, Janie descobre a verdade sobre si mesma e sua habilidade. E é desolador. Realmente desolador.”
Fade - Devanecer (Trilogia Wake #2)
LISA MCMANN
236 páginas.
Novo Século, 2010.

 

Começo a resenha informando que é possível que você encontre um spoiler aqui, outro acolá (sempre gostei dessa palavra e estava esperando uma oportunidade para usá-la, é verdade) de Wake, primeiro livro da trilogia escrita por Lisa Mcmann sobre a apanhadora de sonhos Janie Hannagan. Nesse caso, sugiro que você pare de ler meus comentários sobre Fade, segundo livro da série, ou opte por prosseguir por sua conta e risco. Há. Sentiram o meu tom de “Não nos responsabilizamos pelos seus pertences deixados no interior do veículo”, como nas placas de todos os estacionamentos DO MUNDO? Embora, obviamente, a responsabilidade seja deles... Enfim, falávamos sobre Fade, não é?

A estória de Fade é bastante simples: a capitã Fran Komisky suspeita que um professor em Fieldridge High esteja assediando alunas da escola. E agora você, que leu Wake, tem 03 chances para adivinhar quem foi designado para auxiliar nas investigações do caso...É, pois é.  Cabel e Janie, que, sabe-se lá como, têm 17 anos, mas são colocados nas situações mais absurdas como isca pela polícia.
 Capitã Fran Komisky estimulando Janie a aceitar a missão. Em formato de metáfora, claro.

A narrativa em Fade é bastante ágil e não senti que o livro se arrastou em momento algum, ao contrário de Wake. O arco apresentado é muito interessante (eu não consegui largar o livro até terminá-lo) e bem mais policial do que aquele trazido pelo primeiro livro. Confesso que parte do mistério é revelada rápido demais e a outra parte você “meio que já imagina”, mas acho que foi uma opção da autora que não prejudicou o livro. Aqui, ao invés de aguardarmos até o último minuto para saber quem é o “predador sexual” (nomenclatura do próprio livro; por favor, não mate o mensageiro) da escola de Janie e Cabel, temos fortes indícios de quem o seja desde o início, mas o foco da estória fica em descobrir como tal pessoa consegue fazer o que faz (um ótimo exemplo meu do bom uso da língua portuguesa).

A mitologia envolvendo os apanhadores e sonho é mais bem explicada e o livro traz revelações acerca da condição de Janie que eu, sinceramente, não esperava, mas que foram uma grata surpresa. Outra notícia boa é que o número de sonhos alheios sem propósito algum para o desenvolvimento da narrativa diminuiu em relação à Wake. Talvez seja a maneira da autora “mostrar” e não apenas “dizer” (uma sutil diferença que, convenhamos, muitos autores de livros YA NÃO aprenderam) que a protagonista, pouco a pouco, adquiriu maior controle sobre as suas habilidades.

Como nem tudo é perfeito, chegamos à parte que eu mais gosto das resenhas. Desculpem-me, mas eu estaria mentindo se negasse isto. Chegou a hora do: o-que-eu-não-gostei-em-fade. Em primeiro lugar, novamente Lisa Mcmann simplesmente não desenvolve as personagens secundárias, nem um pouquinho, nada, niente. Aliás, li uma resenha bem legal da Lívia, do Lívia Ledier, na qual ela comenta que a autora mostra no livro como Janie e Carrie parecem se distanciar pouco a pouco, o que é um retrato bem fiel de muitas amizades na vida real. Eu concordo, mas me parece que ao fazer isso, a autora também deu um jeito de tirar Carrie de cena para poder se focar só nos protagonistas. O que é uma grande pena!

Aliás, por falar em Janie e Cabel, acho que eles são dependentes demais um do outro. E seria legal vê-los interagir com terceiros de maneira saudável e para fins de mera socialização, sem questões de trabalho e ordens da capitã envolvidas. Ok, não gosto de ambos como casal e não gosto de Cabel at all. Percebi, porém, passeando pela blogosfera que essa opinião não é exatamente “acolhida” por aí, mas é isso que vale a pena nos blogs: pontos de vistas diferentes sobre o mesmo assunto. Com exceção de Crepúsculo, que é uma droga. E não, eu não aceito a sua opinião a respeito, se for diferente da minha. Hehe.

Bem, Fade é bastante superior à Wake e uma ótima leitura de férias, no melhor estilo fast food: rápida e divertida. Não mudou minha vida, não é o melhor livro de todo o universo, mas é bom. Recomendo a leitura e aguardo com ansiedade pelo desfecho da trilogia em Gone.

E fecho com a lição mais importante que Fade me ensinou: cuidado com as almôndegas. 
É sério.
Você nunca mais comerá o sanduíche de almôndegas do Subway da mesma maneira.

Narrativa: 4/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: A estória passa a seguir uma linha mais policial, e o faz com êxito. E há também as almôndegas, claro.
Avaliação Geral: 4/5

domingo, 5 de dezembro de 2010

WAKE - Despertar (Trilogia Wake #1)

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“Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal. (...) Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar. Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante...”
Wake - Despertar (Trilogia Wake #1)
LISA MCMANN
208 páginas.
Novo Século, 2010.

 
“Wake” foi lançado nos EUA em dezembro de 2008 e é a primeira parte de uma trilogia escrita por Lisa Mcmann e composta por “Fade” e “Gone”, nesta ordem. Todos os títulos que compõe a série já foram lançados nos states e, por aqui, a Editora Novo Século já publicou “Wake” e “Fade”, sendo que “Gone” deve chegar no ano que vem.

Como já deve ser de conhecimento geral, a série trata de sonhos, pesadelos e do subconsciente, temas que não são corriqueiramente encontrados nos livros YA, o que colocou minhas expectativas nas alturas.

Ao longo da narrativa acompanhamos Janie Hannagan, uma estudante do 3º ano do ensino médio com uma mãe alcoólatra, um pai desconhecido e muito pouco dinheiro. Além de tudo, Janie ainda possui um grande segredo: é uma apanhadora de sonhos, o que significa que tem o poder de adentrar os sonhos e pesadelos das pessoas.

 Eu sei que você pensou nisso...

Além de Janie, somos apresentados à Cabel, um esquisitão que sempre pareceu nutrir algum tipo de interesse por Janie e que, entre seu 2º e 3º ano, passa por uma transformação física (eufemismo para “fica gato”) que o inclui entre a galera popular do Fieldridge High. O garoto é bastante reservado e esconde alguns segredos que são revelados ao longo da narrativa, na medida em que ele se aproxima de Janie.

Falando em nossa protagonista, ela é batalhadora e passa muito longe do estereótipo de donzela indefesa. Aliás, a própria Janie soluciona a maior parte de seus problemas e dilemas ao longo do livro, sem esperar que Cabel o faça por ela. Ao mesmo tempo, por vezes sua reação a determinados acontecimentos (em geral envolvendo Cabel) é exagerada e inesperada (de um modo negativo). Por outro lado, Cabel é, para mim, uma personagem meio sem graça. Não é que eu desgoste dele, mas sou tão indiferente que nem definir sua personalidade. de maneira satisfatória eu consigo. Além disso, o romance que se desenvolve entre os dois foi, em algumas passagens, piegas demais. E as personagens secundárias foram muito pouco desenvolvidas, infelizmente.

No campo das críticas, muito foi dito sobre uma aparente falta de revisão do texto, pois as frases são bastante curtas. Concordo que as frases sejam curtas, mas não considero isso um demérito. Pelo contrário, acredito que tal recurso casou perfeitamente com o livro.

Já o ritmo da narrativa me incomodou no início. Na primeira metade do livro pouco acontece e a estória em alguns momentos chega a se arrastar e ficar entediante. Eu realmente cheguei a me perguntar até a página 100 qual era o núcleo da estória. Ok, Janie “entra” nos sonhos e pesadelos alheios e, em dado momento, chega a participar deles pela primeira vez. Sim, era um mistério como ela fazia isso, mas ainda faltava um arco, um conflito que fosse próprio do livro e não da série como um todo. Felizmente, tal arco é apresentado e obtem uma conclusão satisfatória, embora eu acredite que o livro poderia ter tido umas 50 páginas a mais para melhor desenvolvê-lo.

Quanto à arte do livro, foi mantido não apenas o título, mas também a capa idêntica à original. Para ser sincera, a primeira vez que vi a capa de longe achei que a figura do travesseiro era um absorvente higiênico (“mas parece um Always!”). Meu cérebro demorou alguns segundos (e sinapses) para processar do que afinal se tratava e hoje já não a acho tão esquisita. De todo modo, a Editora Novo Século foi bastante competente no trabalho que realizou com o livro, que além de uma textura aplicada na capa que é o máximo, sai por um preço super amigo.

 
No geral, “Wake” é um bom livro. A premissa é genial e eu esperava que o livro também o fosse em todos os aspectos (e não é). Um maior desenvolvimento das personagens e da narrativa certamente lhe valeriam mais pontos, mas ainda assim é o tipo de leitura que você não consegue parar até concluir e cujo final te obriga a correr para comprar “Fade”, o segundo livro da série, o mais rápido possível.

Já havia lido “Wake” há algum tempo, mas como “Fade” faz parte do meu “Desafio Literário de Férias” e será resenhado no começo da próxima semana, achei que seria interessante postar meus comentários sobre o primeiro livro da série. Já posso adiantar, aliás, que achei a sequência muito superior!

Narrativa: 3/5
Desenvolvimento das personagens: 3/5
Fator X: O livro aborda a questão do “white trash” (termo utilizado pejorativamente e de modo preconceituoso para se referir à população caucasiana e de baixa renda com problemas de alcoolismo ou drogas), o que valeu pontos à Lisa Mcmann, pois, novamente, não é um assunto recorrente em livros do gênero.
Avaliação Geral: 3/5