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domingo, 12 de novembro de 2017

CATCHING JORDAN (Hundred Oaks #01)

"Jordan Woods não está apenas cercada de garotos bonitos, ela os lidera como capitã e quarterback do time da escola. Eles a enxergam apenas como mais um dos garotos e tudo bem. O importante é que ela consiga uma bolsa de estudos para uma grande universidade. Porém tudo o que Jordan trabalhou para conseguir é ameaçado quando Ty Green é transferido para sua escola. Ele não é só um excelente quarterback, como também é incrivelmente bonito. Pela primeira vez, Jordan se sente vulnerável. Ela conseguirá manter sua cabeça no jogo e o coração na linha?"




Disclaimer: Queria começar dizendo que achei esta resenha, datada de outubro de 2015, na minha lista de "escrevi e nunca publiquei". Que vergonha. O texto a seguir é o mesmo que escrevi na época. E nas próximas semanas outros rascunhos encontrados nos escombros do blog podem vir a luz, vamos ver. 


Catching Jordan, que por enquanto não foi publicado no Brasil, me decepcionou. Não foi o pior livro que eu li na vida nem nada do tipo, mas está longe, muito longe de Dairy Queen (já leu a resenha aqui?). Comparo com Dairy Queen porque é meio impossível não fazê-lo: os dois trazem uma protagonista envolvida com futebol americano no ensino médio, uma cidade pequena, um interesse amoroso com o qual as garotas que até então estavam 100% focadas no esporte não sabem lidar e alguns problemas familiares latentes. O fio condutor de ambas as histórias é parecido e, ainda assim, elas não podiam ser mais diferentes. Talvez um dos meus problemas tenha sido que eu queria um segundo Dairy Queen, um dos meus livros favoritos, mas é óbvio que essa é uma expectativa idiota e, a bem da verdade, pouco justa. 

Catching Jordan é um romance contemporâneo juvenil e segue Jordan, capitã do time de futebol americano de sua escola e respeitadíssima pelos colegas de time (a equipe a adora ao invés de tentarem diminuí-la por ser a única garota em meio a vários brutamontes - e isso é bem legal). As coisas começam a mudar com a chegada de Ty, um quaterback tão bom quando Jordan e que representa uma ameaça para ela no time. Porém, ao mesmo tempo que se ressente, Jordan começa a se interessar pelo novato e não sabe como agir. Não bastasse isso, seu amigo de infância, Sam, parece estar cada vez mais distante conforme o relacionamento de Jordan e Ty progride – sútil, muito sútil. Além do drama adolescente do primeiro amor (ok, vou tentar maneirar a minha ironia), Jordan ainda tenta lidar com seu pai, um famoso jogador de futebol americano que se interessa mais em apoiar os amigos de Jordan do que a própria filha, e com a expectativa em relação ao recrutamento das faculdades – será que considerariam uma garota para os seus times?

O livro fluiu bem até a metade – não era perfeito, mas estava fácil avançar na leitura. Da metade para frente, parece que a personalidade mais despreocupada das personagens sofreu uma transformação 180 graus e tudo virou muito sofrimento, muito “como a vida é difícil”, muito chororô...E, óbvio, pelos motivos mais bobos do mundo. Sério, eu não tenho saco para angústia juvenil. Passei dessa fase, tenho 20 e muitos anos e zero paciência, thank you very much.


As personagens também não são lá muito memoráveis (prova A: ao escrever essa resenha tive que buscar no Google o nome do garoto novo, Ty, porque minha memória deletou a informação). Claro que é  empoderador ter uma menina liderando uma equipe de futebol americano, um esporte tradicionalmente masculino, e se saindo bem. Por outro lado, Jordan também pré-julga todas as demais garotas que andam próximas ao seu grupo de rapazes e as considera fúteis e – esse é o melhor termo em português para isso – piriguetes. Só porque elas não querem jogar futebol americano e sabem para que serve um curvex? Que tipo de padrão duplo é esse em que só porque uma menina escolhe atividades mais femininas ela é "menos" em uma escala de valor? Isso não é feminismo, é burrice. Feminismo é sobre as mulheres poderem fazer suas próprias escolhas, livre de julgamento em função do seu gênero. Essas escolhas podem ser futebol americano ou não. Claro, Jordan é jovem e faz parte da imaturidade da personagem – eu mesma, quando era mais jovem lembro de coisas que fiz e pensei e tenho vergonha pela misoginia enrustida que eu não percebia na época. Por outro lado, a “eu” de vários anos atrás não era a protagonista de um livro em primeira pessoa, então ninguém precisava aguentar a pessoa horrível que eu era (fora amigos e família).


De maneira geral Jordan é bem imatura, inclusive para lidar com sua primeira crush – lembrando que ela não tem 13, mas quase 18 anos. Então não deu para me apegar a ela, desculpa. 

Não amei ninguém, não torci por ninguém...E só me diverti na primeira metade. Se todo o livro tivesse mantido aquele passo e dosado melhor os momentos depressão juvenil próximo ao final, teria gostado mais (nem todo livro precisa mudar minha vida, na maior parte das vezes eu só quero me divertir). Ainda vou ler algo mais da autora para saber se meu problema foi com esse livro pontualmente ou não, mas sem nenhuma pressa.

No mais, se quer ler algum YA que envolva esportes e que fale de gênero e aceitação em atividades tipicamente “masculinas”, vá direto ao adorável Dairy Queen. É um livro infinitamente superior à Catching Jordan.

Narrativa: 2/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Avaliação Geral: 2/5

domingo, 29 de outubro de 2017

CARAVAL (CARAVAL #1)

"Scarlett nunca saiu da pequena ilha onde ela e sua irmã, Donatella, vivem com seu cruel e poderoso pai. Desde criança, Scarlett sonha em conhecer o Mestre Lenda do Caraval, mas nunca obteve resposta às cartas que lhe enviou. Agora, já crescida e de casamento marcado, o convite para participar do Caraval finalmente chega. No entanto, aceitá-lo está fora de cogitação para a jovem. Com a ajuda de um misterioso marinheiro, Donatella sequestra e leva a irmã para o espetáculo. Mas, assim que chegam, Donattela desaparece e o Caraval se revela um jogo elaborado. Será que Scarlett saberá jogar?"


Caraval, Caraval, Caraval...Como eu começo descrevendo este livro?

Comecei a leitura esperando algo com uma atmosfera mágica, circense e meio sinistra, onde ocorreria um jogo em que as pessoas precisariam usar a inteligência e astúcia para triunfar ou até mesmo simplesmente sobreviver. Minha expectativa era algo envolvente, sagaz e levemente estranho.

Não seria lindo se minhas expectativas tivessem sido atendidas?


Não, Caraval não é um livro horroroso. Em algum momento da leitura eu até pensei em dar três estrelas, mas após terminá-lo conclui que duas estrelas (que significam "É ok" no Goodreads e por aqui também) refletiam melhor meus sentimentos a respeito. Novamente, não é um livro ofensivo ou chato. A leitura flui rápido e você continua avançando para descobrir o que vai acontecer - ou seja, Caraval pontua bem no quesito diversão. É só que, no fim das contas, ele não se destaca em nenhum sentido e a execução da (interessante) premissa deixa muito a desejar. 


O primeiro problema de Caraval está na ambientação e construção do mundo. Sabe a atmosfera mágica que alguns autores conseguem criar e que comentei na resenha de Enraizados? Caraval possui uma premissa que grita por algo atmosférico e fico pensando como não teria sido um livro infinitamente superior se escrito por uma autora como Naomi Novik, por exemplo. 

Ainda falando em escrita, a escolha de palavras da autora para sentimentos e descrições soa bonita na primeira vez que você lê, mas, se você prestar atenção nas frases, logo percebe que não há sentido em muitas delas. São só floreios vazios.

O segundo problema de Caraval está na narrativa. Eu gosto de reviravoltas. Gosto de livros imprevisíveis (mas verossímeis), que te deixam na ponta da cadeira, virando página após página e no final te entregam um acontecimento que te deixa embasbacado e dizendo "OH NO THEY DIDN'T". As vezes você até fecha o livro para pensar por 5 segundos sobre o que acabou de acontecer antes de continuar.  Caraval, porém, é simplesmente confuso, com uma sequência de reviravoltas que se sobrepõem em uma quantidade e velocidade tão grande que começa a ficar meio ridículo. Chegou um ponto em que eu honestamente parei de me importar. Simples assim.


E, claro, as personagens. Vejam bem, o primeiro ponto é que qualquer personagem secundária da história não foi desenvolvido para além de uma casca vazia - motivações, medos, ambições, pano de fundo? Continuaremos todos sem saber. Sobre as três personagens que eu consideraria principais (Scarlett, Tella e Julian), há tantas reviravoltas que na estória que pelo menos uma delas continua uma perfeita estranha para mim ao final da narrativa. Sobre as outras duas que conhecemos um pouco mais, não posso dizer que passei a me importar terrivelmente com sua jornada.

Como disse, não é um livro horroroso, mas não se destaca em nenhum frente. Meu ponto é, com tantas coisas boas para se ler, quem hoje em dia tem tempo para leituras de duas estrelas?

Narrativa: 2/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Avaliação Geral: 2/5

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

TWISTED PALACE (THE ROYALS #03)




"De inimigos mortais a aliados inesperados, dois adolescentes tentam proteger tudo o que mais importa. Ella Harper encarou todos os desafios que a vida mandou em sua direção. Reed Royal tem um pavio curto e punhos rápidos. Com tudo e todos conspirando para mantê-los separados, Ella e Reed precisam encontrar uma forma de vencer a lei, salvar suas famílias e desvendar todos os segredos de seu palácio distorcido."



Ai. Que decepçãozinha para o meu coração cansado. 

Pausa dramática

Erin Watt, nós tinhamos começado tão bem. Por quê tinha que acabar assim, eu te pergunto, por quê? Você tinha tanto potencial para escrever uma espécie de Avenida Brasil da literatura YA, mas depois de um começo na liderança foi como se você nem tivesse atravessado a linha de chegada. Cada vez que a coisa parecia engrenar, era alarme falso. Galvão, não te julgo mais. Te entendi totalmente lendo esse livro.





Não, não foi dessa vez. De repente no próximo capítulo a coisa anda 
(spoiler alert: nope).

Twisted Palace sofre de todos os problemas de seu antecessor, Príncipe Partido (resenha aqui), embora com menos angústia juvenil, o que já o torna minimamente mais tolerável. Havia comentado na resenha do último volume que, para mim,a origem dos problemas pós livro de estréia foi o fato de que seu sucessor se levava a sério demais em algo que foi pensado para ser nonsense e diversão gratuita, sem muita substância ou verossimilhança por trás. Vejo o mesmo problema nesse último volume que encerra a trilogia de Ella. 



O livro, em teoria, deveria se sustentar em uma trama de mistério que as autoras não conseguem segurar. Eu estava dando zero importância para a resolução desse arco e olha que sou uma daquelas pessoas que assistem Discovery ID no domingo de manhã. Então, sim, esse é o tipo de coisa que prende minha atenção (não julgue). 


Eu, quando perguntada sobre meu grau de investimento emocional nos problemas das personagens deste livro.

No fim do dia e avaliando os três livros da série Royals, me parece que o forte das autoras  claramente é o cômico, o "slice of life" e a construção de diálogos ágeis e divertidos. Fora dessa zona de conforto, seja tentando explorar mais o drama (Príncipe Partido) ou construindo um mistério para a história girar em torno (Twisted Palace), elas se perdem.


Do livro dois em diante, terminei a série por inércia e para chegar ao livro que vai iniciar a trilogia de Easton (Fallen Heir), minha personagem favorita. Confesso, porém, que depois das decepções que foram Príncipe Partido e Twisted Palace, não estou exatamente otimista.


Se eu indico a série? O livro um, sim, mas apenas ele. Se lê-lo e não gostar, esqueça porque será ladeira abaixo. Se curtir, peque spoilers online dos livros dois e três e aguarde o livro do Easton. 


Narrativa: 2/5
Desenvolvimento das personagens: 1/5
Fator X: Fiquei feliz que finalmente acabou?
Avaliação Geral: 2/5 (e estou sendo generosa porque arredondei a nota).

Obs: Princesa de Papel e Príncipe Partido já estão disponíveis em português pela Essência.




domingo, 16 de abril de 2017

BROKEN PRINCE (THE ROYALS #2)

"Reed Royal tem tudo – aparência, status, dinheiro. Ele nunca se importou com ninguém além da sua família até Ella Harper aparecer em sua vida. Mas o que começou com ressentimento e a tentativa de fazer a vida da protegida do seu pai um inferno se transformou em outra coisa.Quando um erro tira Ella dos braços de Reed e traz caos à casa dos Royal, o mundo inteiro de Reed parece se despedaçar ao seu redor. Ella não o quer mais, diz que eles vão destruir um ao outro. Ella pode estar certa."



Meh.

Acho que essa é a melhor palavra para descrever o morno segundo livro da série Royals, o que é muito (muito muito) triste porque eu estava esperando DRAMA, RISADAS, EASTON, DRAMA e no fim das contas levei trezentas páginas que fariam Holdem Caulfield corar tamanha a quantidade de teen angst.



Teen angst. Definitivamente uma das coisas que eu mais detesto em livros com, bem, adolescentes.

Diferente do primeiro livro (que eu adorei e devorei rapidinho – resenha aqui), Broken Prince é lento, tem pouca coisa acontecendo até as últimas 20 páginas, muito mimimi e poucos momentos engraçados nonsense que transformaram seu predecessor numa obra tão fácil e divertida de ler. Aquela qualidade de novela mexicana engraçada e meio bizarra? Se foi. Talvez o problema aqui seja que Broken Prince se leva a sério demais em uma série na qual o trunfo parecia ser sua habilidade de, justamente, fazer o contrário disso.

Easton, a melhor personagem até aqui, faz aparições esporádicas. Reed, que nunca foi minha pessoa favorita, merece menos ainda os meus favores após ganhar um POV nesse livro. Callum, pelo amor de Deus, eu não consigo te entender homem – a motivação da personagem versus ações não conversam entre si. E Ella, por favor, para de reclamar amiga. Ou de querer doar sua herança.



Falando sobre POV, achei desnecessário intercalar Reed e Ella. Sou do tipo que prefere um POV único, salvo se houver uma justificativa extraordinária (ou muita qualidade na escrita), o que não é o caso. Não consigo entender o que ganhamos com essa alternância e Reed, honestamente, para mim tem o carisma de uma caixa de papelão.

Vou ler o terceiro livro da série, Twisted Palace, porque quero chegar no livro ainda não lançado que será protagonizado por Easton. Não fosse por isso, tenho minhas dúvidas se seguiria...talvez pelo cliffhanger no final? Por outro lado, boas histórias tem que se sustentar sem eles, não?

Narrativa: 1.5/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: Continuar lendo para chegar no livro do Easton? *dá de ombros*


Avaliação Geral: 2/5


domingo, 27 de setembro de 2015

A RAINHA VERMELHA (Rainha Vermelha #01)


“O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. (...) Numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda nobreza, descobre que tem um poder misterioso...Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?”

A Rainha Vermelha (A Rainha Vermelha #01)
Victoria Aveyard
424 páginas
Editora Seguinte



A Rainha Vermelha é um livro curioso. Tem um alto valor no quesito entretenimento, mas não é um bom livro. É genérico demais para ser bom, mas viciante o suficiente para te fazer concluir a leitura rapidinho se você passar das primeiras 50 páginas, que são bastante insossas.

O time responsável por divulgar o livro nos Estados Unidos disse que se trata de um “Graceling encontra A Seleção”. É sempre uma boa jogada de Marketing associar um livro a outros sucessos recentes e vende-lo como uma espécie de mash up daqueles que só o fandom pode verdadeiramente apreciar. E digo isso sem nenhum traço de ironia porque foi exatamente isso que me vendeu o livro – e eu sou pós-graduada em Marketing, então vamos combinar que I should know better.

Vocês me pegaram direitinho.

O livro, porém, não cumpre o que promete. É uma leitura rápida e divertida, então se você estiver a fim de uma leitura de verão despretensiosa é uma escolha para ler a beira da piscina sem precisar queimar muitos neurônios. Por outro lado, fica aquém de A Seleção (que, vamos ser sinceros, não é um livro tão bom assim, mas um guilty pleasure que eu não tenho vergonha nenhuma de admitir) e muito, muito aquém de Graceling (esse sim um livro maravilhoso).

Quanto a ser um mash up...Bem, isso o livro é mesmo. Nessa parte se entrega o prometido, mas o que é vendido como um chamariz para os leitores investirem no livro é justamente sua maior fraqueza. O problema de “A Rainha Vermelha” reside justamente no fato de ser genérico demais e ser construído a partir de uma colcha de retalho de inspirações que vão, sim, de Graceling a A Seleção, mas que passam também por Jogos Vorazes e basicamente qualquer distopia bem sucedida lançada nos últimos cinco anos. A medida em que você vira as páginas, fica difícil deixar para lá a sensação de que você já viu aquilo que está lendo em algum lugar...Ou em vários lugares.



 “A Rainha Vermelha” se passa em Nova,  cuja sociedade é dividida pelo sangue – e de modo bem literal. Aqueles com sangue prateado possuem poderes sobrenaturais (ler mentes, agilidade, manipulação da luz, força sobre humana e tudo que os X Men podem oferecer a você) e formam o extrato social privilegiado. São os membros da família real e das casas nobres. Já os de sangue vermelho, que formam a maior parte da população, não possuem poderes e são utilizados pela classe prateada dominante para o trabalho braçal que sustenta seus privilégios. E, principalmente, os vermelhos são obrigados a se alistar no exército de Nova se, ao completarem 18 anos, não estiverem trabalhando. E com a guerra na qual o país está envolvido, ser chamado para servir é uma sentença de morte.

Nesse contexto, nossa protagonista Mare Barrow, filha de uma família de vermelhos, comete pequenos furtos para sustentar sua casa e aguarda com pouca expectativa seu aniversário de 18 anos, quando será convocada para servir no exército. Porém, uma espiral de eventos coloca Mare Barrow dentro do palácio real e um incidente revela que a garota possui um poder sobrenatural que só um prateado deveria ter. Para ocultar os poderes de Mare e uma verdade que pode abalar a organização da sociedade de Nova, a família real cria uma farsa para manter Mare sob seus olhos vigilantes e impedir que a verdade se espalhe. Agora vivendo na Corte, Mare precisa aprender a navegar as águas turbulentas do palácio para sobreviver, ao mesmo tempo em que cada vez mais se aproxima dos príncipes herdeiros, Cal e Maven.

Não vou entrar em detalhes sobre o que ocorre na Corte, afinal a chance de sair um spoiler seria grande, mas não posso deixar de mencionar que é realmente triste essa ideia de ausência de solidariedade feminina em ambientes competitivos. Um problema que A Seleção já tem, de modo geral, mas que aparece de forma muito mais branda porque a protagonista América faz amigas no grupo de garotas que disputam o príncipe, é agravado em A Rainha Vermelha. Porque, sem nenhum exagero, não só Mare não faz nenhuma amiga dentro de um grupo com diversas garotas, como todas as demais a tratam extremamente mal. São cruéis, invejosas e maldosas. E essa, além de ser uma representação pouco crível de um grupo com diversas mulheres e que torna a caracterização do livro bastante unidimensional, serve ainda para perpetuar o (falso) estereótipo de que mulheres não conseguem ser amigas de mulheres. Triste ver tantos autores negligenciando a solidariedade entre mulheres.


 Deixando a historia de lado e falando sobre as personagens, Mare Barrow não conseguiu despertar minha empatia por mais de dois segundos e, no fim das contas, me chamou a atenção que uma personagem com uma vida tão dura possa ser tão egoísta (e não de um jeito horrivelmente adorável, como Scarlett O’Hara). Cal, o príncipe mais velho, é de novo uma cópia do que já se viu tantas vezes no gênero. Para mim a única personagem que se salva com algumas camadas adicionais de profundidade é Maven, o príncipe mais novo. Leria com alegria um livro só dele se me prometessem que a história seria menos genérica que “A Rainha Vermelha”.

Para concluir: A Rainha Vermelha é um livro ruim, mas divertido (tem aquela qualidade page-turner). Se estiver procurando por uma diversão despretensiosa, vá em frente. Se você não leu muitos livros do gênero, possivelmente vai gostar mais do que eu. Porém, se estiver procurando por algo com um pouco mais de substância ou criatividade, eu deixaria esse passar se fosse você.

Narrativa: 2/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: É divertido, vamos admitir. Um page-turner. E Maven, especialmente ao final, ganhou um lugar no meu coração.

Avaliação Geral: 2.5/5


domingo, 1 de abril de 2012

ASAS (Fadas #01)

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“Laurel estava hipnotizada, olhando para as coisas pálidas com os olhos arregalados. Eram terrivelmente bonitas - bonitas até demais para se expressar com palavras. Laurel voltou-se para o espelho novamente, os olhos nas pétalas que flutuavam ao lado de sua cabeça. Elas pareciam quase como asas.”



Asas (Fadas #01)
Aprilynne Pike
294 páginas (paperback)
Harper Teen
Edição nacional pela Bertand Brasil





Não darei explicações sobre meu paradeiro nos últimos meses. Talvez precisasse te matar se você soubesse de algo, então vamos manter as coisas em sigilo. Possa apenas tranquiliza-los de que estou bem e os rebeldes pró-democracia NÃO TOMARÃO O REINO. REPITO: NÃO TOMARÃO O REINO. Súditos de Lekatopia, durmam em paz. A primavera árabe felizmente não chegou por aqui e quando chegar, daremos aos rebeldes uma cópia completa e no original de “A Saga Crepúsculo” para que eles desistam dessas aspirações democráticas. 

Não, não daremos. Isso seria tortura e eu seria punida pelo Tribunal Penal Internacional.

Mas então, você está atrás de uma resenha de Asas. Certo. Sob o título original de Wings, é o primeiro de uma trilogia que virou “saga” e conta ainda com Spells (que saiu no Brasil recentemente como Encantos) e Illusions. O anunciado último livro da série se chamará Destined e deve ser publicado nos EUA em 01/05/2012. Não farei comentários sobre a edição nacional porque li a versão paperback norte-americana em setembro do ano passado, em um book tour promovido pelo Murphy’s Library (obrigada Guta e Maeva pela oportunidade!).

Com sinceridade, se é verdade que passei as primeiras cem páginas xingando o livro mentalmente, também é verdade que passei as últimas cem virando página atrás de página para chegar ao final (e não porque era tão torturante que eu queria que acabasse, mas porque era do meu interesse saber o que aconteceria a seguir). Asas é como uma música tão ruim que quase chega a ser boa (ok, não boa, mas aquela música que você sabe todas as rimas pobres do refrão e ainda canta no chuveiro...Pense na abertura daquele seriado da Rede Globo que tem a música "Entre Tapas e Beijos" sendo cantada pela Joelma). Objetivamente analisado, acho Asas ruim: pessimamente escrito, com personagens que geram de pouca a nenhuma empatia por parte do leitor e uma estória cheia de passagens em que fica difícil acreditar que as personagens ajam com um mínimo de racionalidade (e que terminam por soar forçadas e inverossímeis). Mas não posso dizer que odiei. A culpa me corrói nesse momento, mas, para falar a verdade, eu meio que gostei. E por “meio que gostei” quero dizer que me diverti e que eu leria uma eventual sequência.

Tentei achar motivos para ter gostado, tentei mesmo. O mais perto que consegui chegar foi a “teoria do bom por comparação”. Veja, tendo ouvido sertanejo universitário nos últimos meses (contra a minha vontade, diga-se de passagem, mas tente andar de carro sem algum babaca do seu lado parar com o som no último volume tocando...adivinhe?) e visto “Amanhecer – parte 01”, eu ando meio que gostando de tudo que leio/vejo/ouço POR COMPARAÇÃO. Não é que eu goste de quiabo, mas quiabo parece bom se comparado a...sei lá, dobradinha. Mas não é bom comparado à comida da sua avó (ou talvez seja, mas daí é seu problema de família, não meu).

Desculpe, mas é verdade.

A estória fala sobre Lauren, uma adolescente que acha normal: (i) comer meio pêssego e tomar uma lata de refrigerante light o dia inteiro (de onde eu venho chamamos isso de anorexia, mas ok); (ii) sentir um calombo do tamanho de uma bola de tênis nas costas e não contar para seus pais para não preocupá-los (SÉRIO?); e (iii) quando dito calombo vira uma flor (sim, uma flor nascendo nas suas costas) não cogitar esquizofrenia nem, mais uma vez, contar para seus pais, mas sim correr para a casa do cara bonitinho da escola  tirar um pedaço da coisa e olhar no microscópio para ver do que se trata. Percebe o problema? Como eu vou ter empatia por alguém assim? COMO?

Por que você é tão burra, Lauren? Por que???

Mas enfim, sem maiores spoilers, a partir daí eles descobrem que Lauren é na verdade uma fada (o que justifica alguns itens acima, menos a burrice da protagonista) e que o mundo das fadas e dos humanos está em perigo e bláblá. Claro, no meio de tudo coloque dois interesses amorosos (o cara fada bonitinho e o amigo bonzinho e chato) disputando o afeto da protagonista insossa e voilá, você tem um livro.

Para ser justa, a mitologia é legal, embora eu tenha lido várias resenhas de pessoas que gostaram do livro, mas acharam a mitologia esquisita. Bem, esquisita ela é, mas ao menos é original. Basicamente, Lauren tem uma flor nascendo nas costas porque é uma planta, uma espécie evoluída de planta que nós conhecemos como “fadas”. É bizarro, eu sei, mas também achei interessante. E a explicação sobre como as fadas se dividem nas cortes e a função de cada uma também vale pontos para Aprilynne Pyke. O que NÃO vale pontos para a autora, contudo, são frases prontas e personagens formuláticas.

Enfim, não recomendo a menos que você seja MUITO FÃ de YA sobrenatural. Apesar disso, alerto que pode ser uma experiência divertida. E você pode sentir culpa pela voracidade com que devorou o livro no fim das contas.

 
Narrativa: 3/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: Nada, nada, nada para colocar aqui. Além do mistério de eu ter achado divertido um livro para o qual dei duas estrelas.
Avaliação Geral: 2/5

Obs1: Este retorno não é uma piada de primeiro de abril. Não esperem, contudo e infelizmente, nenhuma regularidade nos posts, pois pelo menos até a metade do ano as coisas continuarão muito corridas.

Obs2: Começo de post livremente inspirado nisso, embora eu não goste do Sacha Baron Cohen.

sábado, 27 de novembro de 2010

CABEÇA DE VENTO (Cabeça de Vento #01)

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“Emerson Watts é uma garota de 16 anos, fã de vídeo-games e que passa bem abaixo do radar de popularidade em sua escola. Quando é obrigada pela mãe a levar sua irmã mais nova na inauguração da ‘Stark Megastore’, Emerson não tem idéia de como a sua vida vai se entrelaçar à da supermodelo adolescente Nikki Howard em razão de um acidente causado por manifestantes, que protestavam no local contra o monopólio das empresas Stark.”
CABEÇA DE VENTO (Cabeça de Vento #1)
MEG CABOT
313 páginas.
Galera Record, 2010.

Como fã da Meg Cabot, falar mal de um livro dela publicamente faz eu me sentir mal. Ao mesmo tempo, existe algo chamado honestidade intelectual e eu não poderia ler um livro, detestá-lo e escrever uma resenha mentindo descaradamente sobre suas virtudes.

 Por que, Meg? POR QUE?

“Cabeça de Vento” é o primeiro livro de uma trilogia composta por “Being Nikki” e “Runaway” (“Sendo Nikki” e “Passarela”, numa tradução livre), que está sendo publicada no Brasil pela Galera Record.

Falar de “Cabeça e Vento” sem dar spoilers fica um pouco difícil na hora de abordar os problemas com a narrativa, mas acredito que o que será dito a seguir já é de conhecimento geral: basicamente, a estória começa quando manifestantes causam um acidente na inauguração da Stark Megastore, o que acaba por ferir gravemente Emerson e causar um colapso em Nikki. Então temos o seguinte quadro: (i) Nikki teve morte cerebral, mas seu corpo está em perfeito estado; (ii) Emerson possui o cérebro intacto, mas seu corpo teve ferimentos fatais; e (iii) o grupo Stark, patrocinador de Nikki, não está disposto a perder o rosto que é associado com a cara e os valores de suas empresas.

A solução, é claro, consiste em realizar um “transplante de corpo inteiro” (duh)! Sim, o cérebro de Emerson é colocado no corpo de Nikki, o que significa que a partir de agora Emerson deverá viver, bem, como uma super modelo adolescente. Sério, é a versão Meg Cabot de Drop Dead Diva. Só que ao contrário.
Nikki Howard e Emerson Watts se elas tivessem mais de 30 anos. 

Não tenho nenhum problema com essa lógica de ficção científica. Transferência de corpo inteiro? Parece genial, desde que seja bem executada. Mas em “Cabeça de Vento” a narrativa se desenvolve de tal modo que as coisas deixam de ser críveis. Diversas situações absurdas acontecem e tudo parece muito forçado. Emerson Watts, ao invés de entrar numa reflexão sobre perder sua antiga identidade e começar a viver como sendo outra pessoa (o que seria épico se escrito no inconfundível estilo de Cabot), começa a se preocupar com garotos e lição de casa. Oi? Como uma personagem descrita como sensata e inteligente perde a noção do que seria “estabelecer prioridades”?
 
Agora vem spoiler (pule para o próximo parágrafo se não quiser ler): Fiquei profundamente incomodada com o fato que de que Emerson não pode contar a ninguém sobre o transplante porque o advogado das empresas Stark fez seus pais assinarem um contrato de sigilo, cuja penalidade em caso de quebra está na casa dos milhões de dólares. Sério. Isso é absolutamente INCONSTITUCIONAL. Alguém, por favor, liga para um consultor jurídico?

Quanto às personagens, acho que o desenvolvimento de Emerson foi mais um retrocesso. Já Nikki nunca é abordada o suficiente para termos uma idéia mais clara e menos estereotipada de quem ela era. E as personagens de apoio são basicamente fórmulas prontas: Frida, a irmã de Emerson, é uma garota fútil que quer ser líder de torcida (clichê); Brandon Stark, namorado de Nikki, é um playboy bonito, rico e burro (clichê); o cantor Gabriel Luna é o inglês com um sotaque adorável que sempre surge do nada onde Nikki está (clichê); Lulu Collins é a amiga rica e burrinha, mas com um coração de ouro (clichê); e Christopher Maloney é o melhor amigo de Emerson, que despreza a galera popular e é simplesmente muito cool (clichê).

E como comentei na resenha de “Dead to the World”, acredito que deixar finais abertos, mas não inconclusivos, é um dos maiores méritos de uma boa série. Infelizmente, “Cabeça de Vento” nos traz um dos finais mais insatisfatórios de que me recordo. Eu queria me matar! Não acontece nada, absolutamente NADA! É simplesmente esquisito e totalmente abrupto.

Há também, é claro, aspectos positivos em “Cabeça de Vento”: o livro é escrito naquele inconfundível estilo de Meg, leve e divertido, como se você estivesse conversando com sua melhor amiga. Além disso, as referências ao universo nerd estão lá e sempre estampavam um sorriso no meu rosto (a Emerson lia Electronic Gaming Monthly. Sério, essa parte me emocionou profundamente).

Em suma: “Cabeça de Vento” não me agradou e o julgo um trabalho fraco para os parâmetros de Meg, que já provou poder fazer muito melhor nas séries “O Diário da Princesa”, “A Mediadora”, “Garotos” e “Tamanho 42 Não é Gorda”, só para citar alguns exemplos.

Em tempo, “Being Nikki”, a continuação de “Cabeça De Vento”, tem previsão de lançamento no Brasil para março de 2011.
 
Narrativa: 2/5
Desenvolvimento das personagens: 2/5
Fator X: Absoluta falta de verossimilhança e um uso vergonhoso de recursos deux ex machina.
Avaliação Geral: 2/5