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sábado, 20 de novembro de 2010

SALLY E A MALDIÇÃO DO RUBI (Sally Lockhart #1)

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“Sally Lockhart tem 16 anos, é órfã e acabou de matar um homem. Não com uma arma, apesar de estar com uma pistola e possuir a coragem de usá-la. Sally matou o Sr. Higgs com apenas três palavras - "as Sete Bênçãos". Sally ainda não sabe o significado delas (...),sabe apenas que fará qualquer coisa, será qualquer coisa, dirá qualquer coisa para descobrir."
SALLY E A MALDIÇÃO DO RUBI (Sally Lockhart #1)
PHILIP PULLMAN 
212 páginas.
Editora Objetiva, 2009.


Na verdade já possuía outras resenhas prontas para serem postadas antes desta. Mas terminei de ler “Sally e a Maldição do Rubi” nesta semana e gostei tanto, mas tanto, que me convenci a deixar Sally estrear esta seção do blog.

Primeiramente, me dei tapas mentais por ter deixado este livro passar despercebido pelo meu radar até agora. “Sally e a Maldição do Rubi” foi lançado no Brasil em 2009 pela Objetiva, mas na verdade é um livro de 1985! É a primeira parte de uma trilogia composta por “Sally e a Sombra do Norte” e “Sally e o Tigre no Poço” (ambos já lançados no Brasil, também pela Objetiva) e um spin off denominado “The Tin Princess”, por enquanto sem data de lançamento por aqui.

Mas vamos ao que interessa: O livro se passa em Londres, na era vitoriana. E quem não gosta da era vitoriana? Além, é claro, dos povos subjugados pelos ingleses no período. De todo modo, é muito legal como o autor aborda assuntos como o domínio marítimo inglês, a Companhia das Índias e a questão do ópio.

E é uma estória de mistério, um mistério que você não vai sacar na metade do livro ou por ler a sinopse. Aliás, um mistério que você só vai sacar quando o autor quiser que você saque. Sei que isso parece exagero, mas em tempos de livros com anjos na capa e “Edward é um vampiro” na sinopse, são essas pequenas alegrias de não adivinhar tudo antes da hora que me fazem não perder a fé nos livros YA.

Basicamente, “Sally e a Maldição do Rubi” acompanha Sally Lockhart, uma garota de 16 anos cujo pai, um agente marítimo, está desaparecido após suas escuna ter naufragado próximo à Cingapura (não é spoiler, acalme-se!). Ela recebe um bilhete misterioso poucos dias depois no qual se lê “Sali (sic) fique atenta às Sete Bênçãos. Marchbanks ajudará. Chattum. Atenta querida”. E é aí que começa a estória. Sally, que não tem a menor noção do significado do bilhete, começa a buscar respostas sem nem desconfiar do perigo que corre.

Falando em Sally, ela é uma heroína excepcional. Educada pelo pai, a garota não tem a menor noção de francês, arte, música ou prendas domésticas (um absurdo para a época), mas sabe atirar e cavalgar, além de entender o funcionamento da bolsa de valores e de contabilidade. É uma protagonista bem resolvida e independente. As outras personagens também são excelentes, desde os companheiros mais próximos de Sally, como o assistente de escritório Jim (viciado em revistas de mistério para garotos) e o fotógrafo Fred (talentoso, mas um desastre quando se trata de finanças), passando por personagens de menor destaque como Tembler (um ex-trombadinha que trabalha com Fred) e culminando com a Sra. Holland, uma maligna velinha dona de pensão (o fato dela ser muito velha serve para torná-la ainda mais assustadora, acreditem).

“Sally e a Maldição do Rubi” não está livre de clichês nem possui a estória mais sensacional do universo, mas é com certeza um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Pullman consegue contar a estória de maneira envolvente, sem enrolação e adjetivação desnecessária (este mal que se abate sobre todos nós no pós era Crepúsculo). A narrativa é fluída, os mistérios apresentados não são previsíveis e os personagens são extremamente carismáticos. Sinceramente, fazia muito tempo que eu não gostava de todo o quadro de personagens de um livro - the good, the bad and the ugly (todos juntos como uma grande família...ou nem tanto)!
 
Sr. Pullman, você é um divo!

Mal posso esperar para adquirir meu exemplar de “Sally e a Sombra do Norte”, que com certeza passará na frente dos outros livros da minha pilha (não, eu não tenho a menor disciplina para leitura, ao que parece).
 
Narrativa: 5/5
Desenvolvimento das personagens: 5/5
Fator X: A protagonista não é uma retardada que passa o livro correndo atrás da sua metade da laranja... E eu já mencionei a era vitoriana?
Avaliação Geral: 5/5